Exploração ilegal de madeira no MT está concentrada no 'arco do desmatamento'

Valor Econômico - https://valor.globo.com/ - 18/07/2024
Exploração ilegal de madeira no MT está concentrada no 'arco do desmatamento'
Mapeamento do Sistema de Monitoramento de Exploração Madeireira aponta que 48 mil hectares foram explorados de forma ilícita

Ívania Garcia

18/07/2024

A exploração ilegal de madeira no Mato Grosso está concentrada em dez municípios localizados dentro do "arco do desmatamento", que representa 72% do total registrado no Estado entre agosto de 2022 e julho de 2023. A região é conhecida por apresentar os maiores índices de destruição florestal na Amazônia. Os dados foram divulgados pelo mapeamento do Sistema de Monitoramento de Exploração Madeireira (Simex), composto pelo Instituto Centro de Vida (ICV), Imazon, Imaflora e Idesam.

A concentração da exploração ilegal é observada principalmente no município de Aripuanã, distante 958 km da capital Cuiabá, responsável por 19,4% de toda a exploração ilegal de madeira, com a devastação de uma área de 9.327 mil hectares. Em sequência estão Nova Maringá (12,9%), Colniza (9,5%) e Juara (7%).
O mapeamento destaca que 219 mil hectares de florestas nativas foram explorados para fins madeireiros no Estado, com 78% (170 mil hectares) sendo realizados de forma legal, com autorização válida e dentro da área autorizada. Por outro lado, 48 mil hectares foram explorados de forma ilícita, representando uma redução de 40% na exploração ilegal comparado ao período anterior.

"A redução verificada no total de área explorada foi bastante puxada pela redução na exploração ilegal. Isso indica que as ações de controle na cadeia de produção da madeira nativa, e o combate às práticas ilegais, podem estar mostrando resultado", disse o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinicius Silgueiro Silgueiro.
A exploração ilegal também afetou Terras Indígenas (TI) e Unidades de Conservação (UCs), devastando cerca de 11,4 mil hectares em 13 territórios, com as TIS Arara, do Rio branco, Aripuanã e Parque Xingu, sendo as mais afetadas. A redução foi de 42% comparado com o período anterior.
Entre as Unidades de Conservação, o Parque Estadual Tucumã e as Estações Ecológicas do Rio Roosevelt e do Rio Ronuro foram as mais impactadas, somando 80% da área. Apesar disso, o levantamento registrou uma redução de 82% na exploração de UCs.
"Essa exploração ilegal acarreta em prejuízos econômicos e na degradação florestal, que leva à perda de biodiversidade e do próprio potencial madeireiro, além do aumento da emissão de gases de efeito estufa", pontua Silgueiro.

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Amazônia:Madeira-Exploração

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